Evento é marcado por protestos. Arnaldinho, Ferraço e Casagrande são confrontados por populares e servidores.
- Redação

- 20 de jun.
- 2 min de leitura

O evento Ação pela Cidadania, realizado neste sábado no Campo do Normilhão, em Grande Terra Vermelha, reuniu cerca de 18 mil pessoas e acabou se tornando palco de intensos protestos de servidores, da comunidade escolar, pais de alunos atípicos e moradores da região.
Entre as principais reivindicações, destacaram-se:
Falta de profissionais para atendimento especializado nas escolas
Protesto contra a exoneração da pedagoga Carine Souza, que havia denunciado problemas estruturais em sua unidade
Cobranças da população sobre saneamento básico e outras demandas históricas
O prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) foi frontalmente contestado por educadores, que criticaram a demissão de Carine, inclusive pela própria profissional. Em resposta, o gestor afirmou que a pedagoga teria mentido, o que acirrou ainda mais os ânimos. "Ela faltou com a verdade" diz Arnaldo à Casagrande durante o confronto. O clima pesado também atingiu o ex-governador Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado, que buscava apoio popular, mas acabou envolvido na impopularidade do prefeito. Já o governador Ricardo Ferraço (MPDB), candidato à reeleição, também esteve presente, tentando fortalecer sua base política em meio às tensões.
Outro alvo das críticas foi o vereador aliado do governo, Hércules Silveira (PP), acusado de omissão na fiscalização. Em vez de acolher as demandas, ele chegou a repreender uma moradora, dizendo que ela deveria ter procurado seu gabinete antes e que “precisava ser educada”.
Entre os manifestantes, esteve o presidente da Associação dos Profissionais da Educação de Vila Velha (APEVV), Professor Vinicius Machado, acompanhado do movimento SOS Autismo ES. As entidades cobraram explicações sobre a demissão de Carine, a ausência de profissionais da Educação Especial e denunciaram o abandono enfrentado pelas crianças atípicas. Também questionaram o destino dos R$ 250 milhões em empréstimos contraídos pela Prefeitura, exigindo transparência sobre a aplicação dos recursos.
Segundo os manifestantes, em vez de diálogo, a resposta da gestão foi marcada por repressão, intimidação e até agressão contra uma mãe integrante do movimento por parte de um líder comunitário ligado ao prefeito. A APEVV manifestou solidariedade à vítima e reafirmou seu compromisso com a luta pelos direitos das pessoas autistas e suas famílias.
Fogo no Parquinho
O episódio mostrou um grande desgaste político da atual administração e indica que as eleições em Vila Velha prometem ser acaloradas, com aliados de Arnaldinho Borgo perdendo capital popular e, possivelmente, votos. Caso as demandas de professores, servidores — sem aumento há mais de dois anos — e pais de alunos atípicos não sejam atendidas até outubro, um dos maiores colégios eleitorais do Espírito Santo pode se voltar contra a atual trinca política local: Casagrande, Borgo e Ferraço, compromentendo o objetivo de Ferraço-Casagrande de se elegerem governador-senador respectivamente.
Todos os fatos foram fartamente divulgados em diversos vídeos da comunidade canela-verde sendo o assunto um dos mais comentados neste sábado nas redes sociais dos capixabas.
Espaço segue aberto para manifestação da PMVV e demais envolvidos.
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