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Bikes elétricas x espaço urbano

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As bicicletas elétricas, ou e-bikes, já são um fato e um fator marcante na região metropolitana capixaba. É comum vê-las nas calçadas, nas ruas, na ciclovia, na contramão, em vagas de estacionamento… Estão por toda parte, e por alguma razão vêm gerando complicações nas convivências urbanas.


Em discussões em redes sociais, é possível perceber, por parte de muitas pessoas, a sua insatisfação com esse veículo e apontando ele como o vilão da história.


Porém, o verdadeiro incômodo é muito maior, ramificado, já estamos acostumados com ele, dificultando percebê-lo.

Surgem como uma alternativa prática e sustentável para os deslocamentos urbanos, reduzindo a emissão de gases poluentes e o uso excessivo de automóveis. Mediante um motor elétrico auxiliar e pedais assistidos, esse veículo aumenta o alcance e reduz o esforço do usuário, sendo uma alternativa interessante de deslocamento que evita suor e efeitos indesejados no look do dia. Em um clima tropical, esse modelo de transporte pode e consegue ser uma alternativa para que nossas cidades se adaptem às mudanças climáticas. Para explicar essa possibilidade, é necessário apresentar outras observações, algumas dessas “ramificações” dessa breve análise urbana.



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O nosso trânsito, de cidades com áreas ocupadas limitadas, é composto por automóveis com baixa densidade por veículo. Uma ou duas pessoas em um automóvel ocupam de 12m² a 15 m², enquanto uma bicicleta convencional, ou até mesmo a elétrica, ocupam pouco mais de 1m² por pessoa. Em uma suposição de troca do veículo automotor particular - automóveis, motos, SUVs, Pick ups - por meios de transporte mais compactos, o espaço destinado a amplas avenidas de tráfego rápido e violento se tornaria grande demais, até mesmo desnecessário.


De acordo com urbanistas e estudiosos do tema, referências mundialmente reconhecidas, como Josep Maria Montaner e Jane Jacobs, uma cidade voltada às necessidades de veículos torna-se hostil à presença de pessoas, ao comércio, à economia e à segurança pública. Enquanto amplia mais uma faixa para resolver o trânsito, as calçadas ficam cada vez menores, prejudicando uma ampla gama de cidadãos para privilegiar alguns que são muito espaçosos.


O que nos falta, afinal, é espaço para todos.


Talvez não enfrentaríamos estes mesmos problemas relacionados a como e onde as e-bikes devem estar, se já tivéssemos estruturas cicloviárias consolidadas, coerentes, conectadas e com sinalização adequada.


O olhar para meios de mobilidade ativa - caminhada e ciclismo - e até mesmo alternativa, como as e-bikes, não deve ser um olhar de lazer, esporte e contemplação, mas sim com um olhar para o futuro, uma nova possibilidade de melhorar nossas cidades.



A baixa adesão ao ciclismo ocorre por falta de estrutura e segurança. Muitos dos trajetos realizados de carro poderiam ser realizados de outras maneiras, caso nossas ruas, calçadas e ciclovias - quando existem -  tivessem espaços destinados a todos, e não apenas para os carros e seus estacionamentos.


Apesar de ser um veículo motorizado, a e-bike não está sujeita às mesmas regras e leis que os nossos veículos convencionais a combustão. Sendo assim, o seu uso nas calçadas e ciclovias não pode seguir a mesma lógica individualista, egoísta e de velocidade violenta, já tão presente no nosso trânsito.


Ser uma alternativa de deslocamento não a torna, ainda, uma alternativa de mobilidade. A mobilidade urbana é coletiva, compartilhada, não individualista. O espaço da calçada e ciclorrotas são plurais, contemplativos e randômicos. Não seguem a lógica da via para carros.

Quanto às e-bikes, fica o apelo ao bom senso e educação no trânsito para quem utiliza delas. Respeite a sinalização, o pedestre, o ciclista, siga o fluxo da via e evite contramão. Siga sempre o sentido da via. Sinalize seus movimentos ao usar setas ou estender os braços. E acima de tudo, a proteção ao mais vulnerável. Deixemos a lógica do carro para ele apenas. Utilizar de meios ativos e alternativos de locomoção pode e deve ser mais prazeroso do que o estresse cotidiano do tráfego.


Mudanças como essa precisam de apoio e participação popular. Reduzir veículos automotores da circulação urbana é trazer benefícios à população: melhor qualidade do ar, menos ruído, mais áreas verdes, mais segurança nas ciclovias, calçadas e travessias de pedestres, fortalecimento do comércio de rua e da vida urbana e muitos outros benefícios. Mas acredito que este seja outro assunto.


* Pesquisador em Arquitetura e urbanismo. Artista e ativista pelo urbanismo.



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