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Editora lança Livro gratuito sobre cotidiano de famílias escravizadas no ES





Lançamento será quarta (15) e retrata o período entre 1831 e 1888. Confira entrevista com a autora.


Retratos da Escravidão em Itapemirim-ES: uma análise das famílias escravizadas entre 1831 e 1888 (Praia, 2026) é resultado de uma trajetória de pesquisa iniciada ainda na graduação e consolidada ao longo de anos de investigação acadêmica. O livro nasce do interesse da autora em compreender a história de sua própria região, no sul do Espírito Santo, a partir de fontes documentais pouco exploradas, como registros de batismo e óbitos de pessoas escravizadas e inventários e testamentos que continham cativos em suas posses.


O pré-lançamento será nesta quarta-feira (15), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), às 10 horas, durante o “III Simpósio Internacional do Laboratório de História, Poder e Linguagens (LHPL). A programação ocorre no Auditório do Prédio da Pós-graduação em Matemática e Química, no Centro de Ciências Exatas, que fica no Campus Goiabeiras.


A publicação faz parte da série Diversas, que reúne livros de mulheres selecionados pela Praia Editora por meio de um edital próprio. O e-book já está disponível para download livre e gratuito no blog da editora, basta clicar em https://praiaeditora.blogspot.com/.

Fruto de um percurso que envolveu descobertas, desafios e até verdadeiras “odisseias” em busca de documentos históricos, o livro revela um trabalho rigoroso e sensível. A autora teve acesso a acervos raros, muitos deles ainda não catalogados, e conseguiu reconstruir aspectos fundamentais da vida social no período escravista em Itapemirim.

“Meu trabalho traz a escravidão pela perspectiva das famílias”, contou a autora.


“Nos acostumamos a falar sobre os cativos como seres inanimados, sem vontade, sem vida, marionetes nas mãos dos senhores. Porém, ao nos debruçarmos sobre os documentos, vemos que cada escravo era um ser humano que, na medida do possível, estabelecia estratégias sociais. E as famílias são uma dessas estratégias”, detalhou.


Publicada após seleção em concurso da Praia Editora, Laryssa disse que é a realização de um sonho. “Eu queria ser escritora de romances, mas acho que meu destino é escrever histórias reais. Quando apareceu o concurso da Editora Praia, no fim da pandemia, eu decidi arriscar”, revelou.


Confira a seguir a entrevista com a autora


1) Qual sua motivação para fazer essa pesquisa?

Minha pesquisa foi iniciada ainda na faculdade, como trabalho de conclusão de curso em História. Eu e meu grupo (éramos um trio: eu, Graciete Blanco e Carlos Renato Cavalini) queríamos pesquisar algo sobre a história da nossa região e minha tia Ana Maura Machado, que é irmã leiga da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, conseguiu junto ao pároco autorização para que pesquisássemos os livros de escravos. Ele nos deixou olhar apenas dois livros: um de batismo e outro de óbito.

Fizemos nosso trabalho e nosso orientador na época, Pedro Ernesto Fagundes disse que tinha uma professora na Ufes que pesquisava o mesmo assunto. Ele me indicou pra ela e enviou esse trabalho.

Anos depois ela aceitou ser minha orientadora: a professora Adriana Pereira Campos. No mestrado eu consegui acesso aos outros livros de batismo de cativos e também pesquisei nos inventários da comarca de Itapemirim.

Eu sempre quis seguir a carreira acadêmica e pesquisar minha região me fascinava ainda mais. Cada novo documento era desafiador e ao mesmo tempo encantador, pois estava desbravando uma história ainda não contada.



2) Por que decidiu transformar em livro?

Era um sonho ter um livro de minha autoria. Eu queria ser escritora de romances, mas acho que meu destino é escrever histórias reais. Quando apareceu o concurso da Editora Praia, no fim da pandemia, eu decidi arriscar. E fiquei extremamente feliz quando fui aceita. Eu sou leitora, amante de livros como cultura e objeto de decoração. Livros correm o mundo.



3) O que você considera o grande destaque de seu livro?

Meu trabalho traz a escravidão pela perspectiva das famílias. Nos acostumamos a falar sobre os cativos como seres inanimados, sem vontade, sem vida, marionetes nas mãos dos senhores. Porém, ao nos debruçarmos sobre os documentos, vemos que cada escravo era um ser humano que, na medida do possível, estabelecia estratégias sociais. E as famílias são uma dessas estratégias.

Casar e ter filhos possibilitava a essas pessoas experimentar a vida em sociedade, apesar da escravidão. Hoje, em pleno século XXI, ainda estamos discutindo a carga horária do trabalho livre, que na escala 6x1 mal tem contato com sua família e amigos. As relações familiares permeiam a vida do trabalhador cativo, que apesar da escravidão, conseguiram se relacionar e estabelecer vínculos sociais e familiares.

Os estudos sobre famílias cativas tentam dar um pouco de humanidade ao dia a dia do trabalho escravo sem camuflar as mazelas da escravidão, ao contrário, mostrar que esses homens e mulheres eram pessoas amigáveis e com possibilidade de criar vínculos familiares, apesar de todos os percalços que enfrentavam.



4) Houve momentos difíceis, engraçados ou pitorescos durante a pesquisa?

Encontrar os inventários e testamentos da comarca de Itapemirim foi uma verdadeira odisseia. Inicialmente, fui aos cartórios da região perguntar se tinham nos arquivos documentos do século XIX. Fui informada que o Fórum havia recolhido tudo. Então, entrei em contato com amigos que trabalhavam no Fórum de Itapemirim que me contaram que os documentos foram doados para algum órgão em Vitória, mas ninguém sabia qual.

Entrei em contato com o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo e perguntei sobre os documentos de Itapemirim, nova negativa. Já estava com uma lista de possíveis arquivos para entrar em contato quando recebi um e-mail do historiador do arquivo público, Tiago Alves que os documentos estavam lá, só não haviam sido catalogados. Aí comecei a pesquisa.



Quais as suas atividades profissionais hoje em dia?

Sou professora de história da rede municipal de Marataízes e aluna do doutorado em História da Ufes, onde participo do laboratório História, Poder e Linguagem. Também atuou como pesquisadora no Instituto Histórico e Geográfico de Itapemirim e Marataízes (IHGIM).




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