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Especial - Projeto em VV mira publicidade de Bets no combate a ludopatia: endividamento e suicídios em alta


O vereador Rafael Primo (PT) apresentou na Câmara Municipal de Vila Velha um projeto de lei que promete mexer profundamente na relação da cidade com as casas de apostas online. A proposta busca proibir a publicidade e o patrocínio das bets em espaços públicos e, ao mesmo tempo, criar uma política municipal de prevenção à ludopatia — o vício em jogos de azar.


Segundo Primo, o avanço das plataformas digitais de apostas tem provocado impactos visíveis na saúde mental, no orçamento das famílias e na vida de jovens e adolescentes. 


“Não dá mais para normalizar uma atividade que tem levado milhares de pessoas ao endividamento e ao adoecimento. O poder público precisa cumprir seu papel de proteção social”, afirmou o parlamentar.


O que prevê o projeto


  • Proibição de publicidade em pontos de ônibus, painéis de LED, escolas, unidades de saúde, equipamentos de assistência social e plataformas digitais oficiais da Prefeitura e da Câmara.

  • Bloqueio de patrocínios e uso de nomes de empresas de bets para espaço público (Ex. Arena BET DO MAL);

  • Criação da Política Municipal de Prevenção à Ludopatia, com ações de conscientização, educação financeira e atendimento especializado.

  • Programa Municipal de Apoio Psicossocial (PROAP Bets), oferecendo atendimento psicológico, grupos de apoio para familiares e capacitação de profissionais da rede pública.

  • Campanhas educativas anuais sobre os riscos das apostas eletrônicas.


Primo ressalta que não se trata de discutir a regulamentação das apostas — competência federal — mas sim de proteger os espaços públicos e as famílias de Vila Velha.


O impacto das apostas no Brasil


Os números mostram a dimensão do problema:


  • Brasileiros já movimentam R$ 20 bilhões por mês em apostas digitais.

  • Estima-se que 250 mil trabalhadores tenham se afastado das bets por problemas de saúde mental.

  • Mais de 603 mil pedidos de autobloqueio foram registrados junto à Secretaria de Prêmios e Apostas.

  • Estudos indicam que 48,7% dos adolescentes já jogaram online no último ano, e cerca de 1 em cada 10 jogadores desenvolve comportamento problemático.


Especialistas alertam que o vício em apostas não é apenas uma questão financeira, mas um transtorno comportamental reconhecido pela medicina, capaz de provocar ansiedade, depressão, insônia e até pensamentos suicidas. Além disso, os efeitos se estendem às famílias, com relatos de endividamento extremo, perda de patrimônio e aumento da violência doméstica.


Suicídio


Depressão, endividamento e até mesmo casos de suicídios. Entre um dos que tiraram a vida por vício em bets foi Vinícius Marinho Ferreira. Com apenas 28 anos, na manhã que ele se matou, Vinicius fez 13 apostas de R$ 1.000 cada, uma por minuto, no site Bet365. Perdeu todas. Segundo familiares, a compulsão por jogar já durava um ano e o fez perder a casa, a esposa, a confiança de quem convivia com ele e por fim, a própria vida. 


Seja por qual motivo, caso tenha pensamentos suicidas, busque ajuda. Ligue gratuitamente, a qualquer hora, para o

Centro de Valorização da Vida - CVV - 188


Uma questão de saúde pública


O projeto de Vila Velha segue uma tendência nacional e internacional de enfrentamento ao problema. Para Primo, trata-se de uma medida de responsabilidade social: 


“Estamos discutindo o direito de Vila Velha proteger suas crianças, seus adolescentes e as famílias que sofrem com os efeitos desse mercado.”


A proposta agora segue para análise nas comissões da Câmara Municipal. Se aprovada, Vila Velha poderá se tornar referência no combate à ludopatia e na defesa da saúde pública frente ao avanço das apostas digitais.




* Imagem gerada por IA.




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