Vereadores blindam Gestão Arnaldinho. Pais e professores defendem CPI da Educação
- Redação

- há 15 horas
- 2 min de leitura

A Câmara Municipal de Vila Velha virou palco de tensão nesta segunda-feira (29) após vereadores da oposição anunciarem uma mobilização para instaurar uma CPI da Educação. A reação veio depois que o requerimento para convocar a secretária municipal, Carla Cabidel, não entrou em pauta.
O plenário estava lotado por professores e famílias de estudantes público-alvo da educação especial. A sessão foi interrompida logo no início, quando o presidente em exercício, Devanir Ferreira (Republicanos), anunciou uma reunião articulada pelo Ministério Público Estadual para esta terça-feira (30) sobre o atendimento a alunos especiais.
O autor do pedido, vereador Rafael Primo (PT), criticou o formato fechado do encontro. “O fato da secretária se disponibilizar a conversar numa reunião privada não substitui a presença dela aqui para conversar com a sociedade publicamente”, disse. Sem a leitura do requerimento, ele cobrou explicações à Mesa: “Era para ter sido colocada em votação. O que está acontecendo?”.
Em nota, a Associação dos Profissionais da Educação de Vila Velha (APEVV) também se posicionou. O presidente da entidade, Vinicius Machado, professor da rede municipal, manifestou solidariedade à pedagoga Carine Souza, demitida após denunciar a falta de profissionais.
“Reafirmamos que concordamos com sua denúncia sobre o abandono da Educação Especial. A culpa por essa situação não é dos profissionais que atuam nas escolas. O problema é a falta de investimento, de estrutura, de profissionais e a sobrecarga enfrentada diariamente”, afirmou.

Machado ainda citou a ausência do Executivo em audiência pública no ano passado.
“No ano passado, durante a audiência pública sobre Educação Especial, representantes do Executivo e a secretária de educação não compareceram para dialogar com a comunidade. Essa ausência já demonstrava a falta de compromisso com essa pauta”, disse o presidente da APEVV.
Sem avanço na Câmara, a oposição mudou a estratégia. Pastor Fabiano (PL) defendeu investigação sobre investimentos, quadro de professores e fiscalização nas escolas. “Eu gostaria que o prefeito Arnaldinho autorizasse a base dele a assinar um pedido de CPI”, afirmou. Os parlamentares disseram que irão às ruas coletar assinaturas. “Nós vamos agora caminhar por essa cidade com uma prancheta pegando assinatura”, declarou o vereador.
O impasse escancara a crise na pasta. O requerimento cobra detalhes sobre acolhimento de alunos com TEA, estrutura do atendimento especializado e a relação entre professores efetivos e DTs. A pressão aumentou após a pedagoga Carine Souza confrontar o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) em evento no dia 20. Ela foi demitida após denunciar falta de profissionais em uma escola "com mais de 50 estudantes da educação especial e apenas oito assistentes" segundo a profissional.
A expectativa é que o requerimento volte à pauta na sessão desta quarta-feira (1), enquanto a oposição articula as assinaturas para a CPI.
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