A redução da jornada de professores é urgente
- Redação

- há 19 horas
- 2 min de leitura

Por Vinícius Machado*
A redução da jornada de trabalho dos professores e professoras tornou-se uma necessidade urgente diante da realidade vivida diariamente por esses profissionais. Em um momento em que o país debate o fim da escala 6x1, uma reivindicação histórica da classe trabalhadora, também ganha força o debate em torno do PL 3674/2025, de autoria da deputada professora Luciene Cavalcante, que propõe a redução da carga horária docente para 30 horas semanais, sem redução salarial. A proposta representa uma medida necessária para garantir condições dignas de trabalho e preservar a qualidade da educação pública brasileira.
Atualmente, milhares de professores e professoras acumulam jornadas exaustivas que ultrapassam 50 ou até 60 horas semanais. Muitos trabalham em diferentes escolas, enfrentam longos deslocamentos e dividem suas rotinas entre dois ou três turnos diários. Essa dinâmica transforma o trabalho docente em uma atividade marcada pela sobrecarga permanente, deixando pouco espaço para descanso, convivência familiar, lazer ou formação continuada. É preciso reconhecer que professores também têm direito à vida para além do trabalho.
Os impactos dessa realidade são cada vez mais visíveis. O adoecimento físico e mental da categoria cresce de forma alarmante. Casos de burnout, ansiedade, depressão, estresse crônico e exaustão tornaram-se frequentes entre profissionais que sustentam, todos os dias, o funcionamento da educação pública no Brasil. Quando um professor adoece, toda a comunidade escolar é afetada: estudantes perdem continuidade no aprendizado, colegas assumem ainda mais responsabilidades e o sistema educacional se torna mais fragilizado.
Nesse contexto, o PL 3674/2025 surge como um passo importante para enfrentar essa crise. Ao propor a redução da jornada para 30 horas semanais sem retirada de direitos ou redução salarial, o projeto aponta para uma valorização concreta da carreira docente. Além disso, o piso nacional do magistério passará a ter como referência a jornada de 30 horas, e não mais as atuais 40 horas semanais, o que representa um avanço importante no reconhecimento do trabalho docente. O projeto também mantém a proporção já assegurada em lei, em que 1/3 da carga horária é destinado às atividades extraclasse, como planejamento pedagógico, formação continuada, elaboração de avaliações e correção de atividades.
Além de diminuir as horas de trabalho, a medida busca criar condições para que professores possam exercer sua profissão com mais qualidade, saúde e dignidade.
Garantir tempo adequado para planejamento e formação significa melhorar diretamente o processo de ensino e aprendizagem, fortalecendo a educação pública como um todo.
Defender a redução da jornada dos docentes é defender uma educação melhor para toda a sociedade. Não existe ensino de qualidade sem profissionais valorizados, saudáveis e respeitados. Garantir condições humanas de trabalho aos professores não é apenas uma pauta da categoria, mas um compromisso com o futuro da educação brasileira.


*professor da rede Vila Velha, servidor do município, coord. Geral da Associação dos profissionais da educação pública de Vila velha (APEVV) e coord. Estadual do movimento Vida Além do trabalho (VAT-ES).
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