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A subjetividade algorítmica se uniu à modernidade líquida. Bauman já havia previsto os algoritmos!

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Por Nilton Junior*


Zygmunt Bauman, um grande sociólogo e filósofo polonês, nos alertou há anos sobre um mundo onde tudo “escorre”: nossas relações, afetos, identidades, crenças, etc.


Ele chamou isso de modernidade líquida, onde nada mais é feito para durar. E talvez, se vivesse hoje, ele acrescentaria: “Vivemos a era da subjetividade algorítmica.”


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Repare e veja bem, porque é isso que estamos vivendo.


Estamos hoje com uma nova forma de controle, mas que muitos se dizem livres, porém, a promessa da liberdade digital é falsa e os algoritmos invisíveis que moldam nossos gostos, hábitos, opiniões e até emoções.


E quer saber o que é mais irônico? Temos uma falsa ilusão de autonomia. Estamos mais previsíveis do que nunca, afinal, cedemos nossas vidas à internet e suas big techs, sem ler regimentos, somente clicando em “Li e aceito”. Mas seguimos acreditando que somos livres, que vivemos coincidências diárias e que podemos fazer escolhas. 


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Na sociedade líquida, nada é sólido e fixo. O amor é líquido, o trabalho é líquido, a moral é flexível, e as identidades mudam como as hashtags em alta, e o pior, perdem-se valores.


Hoje, com o auxílio dos algoritmos, a programação dita a fluidez. Não somos apenas meros usuários donos de escolhas próprias, e sim produtos que alimentam e reforçam os próprios padrões de consumo. O algoritmo não apenas nos mostra o que queremos ver. Ele decide o que você vai querer, é sutil e devastador.


Vivemos em tempos em que tal algorítimo é usado desde as eleições a opiniões. De hobbies ao seu paladar. Bauman nos diria que estamos imersos em uma cultura de consumismo afetivo e simbólico, em que ideias e pessoas são descartáveis, afinal, o que não é hoje em dia? Quantas vezes nos pegamos pensando no que virá e não temos algo fixo como anos atrás.


Hoje, você é o que o feed permite você ser. Os algoritmos criam bolhas que reforçam suas crenças até as inflar, alimentam seus medos e mantêm você num ciclo previsível de consumo e comportamento, é aquele plush de promoção ou de hipe. E não adianta ficar quieto, pois o algorítimo te acha, afinal, você leu e aceitou, não foi?

E de quebra, nosso pensamento crítico sumiu, o diálogo morreu mais rápido que uma trend, a educação vira questionamento de ideologia, a leitura é GPT! Uma ideia de futuro moldada há anos, que nos foi vista em filme e almejada por muitos, mas, agora que chegou na realidade, é apenas uma tendência do momento, que vai mudar. Tudo muda.


Bauman nos dizia que não existe solução simples para problemas complexos. Mas há um princípio básico:


precisamos recuperar o valor da reflexão em um mundo que só valoriza a reação. Isso significa resistir. Ler mais do que headlines. Pensar mais do que postar. Buscar mais do que o algoritmo entrega.

Afinal, somos humanos e extremamente capazes de mudar, usar a liquidez para virar.



Pintando livrinho de colorir, comendo um morango do amor recheado de pistache e entregando sua vida para a IA, você só consome o que lhe é entregue… deixa de existir como sujeito pensante e vira apenas uma estatística treinada para engajar. Temos uma incrível capacidade de buscar padrões em tudo que vemos, vamos tentar voltar nossos valores? Você pensa além do seu feed?



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*Nilton Junior é um profissional sempre em busca de conhecimentos gerais através do estudo. Formado em Comunicação Social, especialista em Comunicação Interna e Gestão Estratégica de Recursos Humano. Atualmente desenvolve atividades de marca empregadora, jornada do colaborador, educação corporativa, diversidade, equidade e inclusão, RH Ágil e Desenvolvimento de Lideranças.




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