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Justiça nega retirada de matéria do VVemDia sobre caso Laranjas, mas impõe alterações em publicações


Decisão judicial determina mudanças em títulos, remoção de vídeos e multa a veículos jornalísticos.



A Justiça do Espírito Santo, 1ª Região da Comarca de Vitória, negou pedido de retirada de reportagens sobre o caso dos dentistas Mariana e Nathan Laranja, mas determinou alterações em publicações da Rede Gazeta, do jornal Vila Velha em Dia e de outros veículos de comunicação capixabas. A decisão foi proferida na madrugada desta quarta-feira (28).


A defesa dos dentistas acionou a Justiça pedindo a retirada e readequação de reportagens. Segundo os advogados, os conteúdos teriam extrapolado os limites da informação jornalística.


A magistrada negou a exclusão das matérias (CONFIRA AQUI A DO VVEMDIA), mas determinou mudanças em títulos e conteúdos, além da inserção de uma nota definida pelo Judiciário e da remoção de vídeos e publicações nas redes sociais que viessem a difamar a imagem dos profissionais e não seguissem as orientações da juíza. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 10 mil ao dia.


Os advogados que representam o jornal Vila Velha em Dia estudam o caso e as medidas a serem tomadas.


O VVEMDIA reforça que atua em estrito cumprimento do fazer jornalístico profissional seguindo as normas éticas da profissão garantindo levar informação de relevância à sociedade sem juízos de valor e sempre oferecendo espaço ao contraditório, estranhando assim o acionamento Judiciário visto que divulgou irrestritamente informações referentes ao indiciamento policial.

Na tarde desta quarta-feira, o departamento jurídico da Rede Gazeta acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa alega que a decisão viola a liberdade de imprensa e representa interferência indevida no trabalho jornalístico. Segundo a Rede Gazeta, o entendimento contraria jurisprudência do próprio STF de que a Constituição garante posição preferencial à liberdade de imprensa e impede censura prévia. O processo foi distribuído ao ministro Flávio Dino.


Mariana e Nathan Laranja foram indiciados pela Polícia Civil por lesão corporal. A investigação concluiu que ambos teriam agido com imperícia e imprudência em procedimentos estéticos que causaram lesões em pacientes.


Entidades que representam o jornalismo profissional no Espírito Santo e no Brasil repudiaram, nesta quinta-feira (29), a decisão. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Espírito Santo (Sindijornalistas-ES) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) divulgaram nota conjunta:


NOTA DE REPÚDIO À CENSURA PRÉVIA

SINDIJORNALISTAS-ES | FENAJ


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Espírito Santo (Sindijornalistas-ES) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) repudiam a decisão da juíza Telmelita Guimarães Alves, plantonista da Primeira Região de Vitória, que impôs à Rede Gazeta, à Rede Vitória e ao jornal Vila Velha em Dia como devem noticiar o caso de dois dentistas indiciados por procedimentos que causaram deformidades em pacientes. A pedido da defesa, a magistrada determinou multa de R$ 10 mil ao dia caso as reportagens não sejam alteradas e não incluam nota explicativa imposta pelo Juízo.


Trata-se de censura prévia, vedada pelos artigos 5º e 220 da Constituição Federal. Não cabe ao Poder Judiciário ditar linha editorial nem impor a forma como a informação chega à sociedade. A medida cerceia a liberdade de imprensa e fere o direito do jornalista de informar com ética e precisão, princípios que garantem à sociedade capixaba o acesso livre, plural e verdadeiro aos fatos.


O Sindijornalistas-ES e a FENAJ se solidarizam com os profissionais atingidos e apoiam a reclamação apresentada pela Rede Gazeta ao STF. Liberdade de imprensa não é privilégio de jornalistas. É garantia da democracia e direito de toda a sociedade.


Vitória, 28 de maio de 2026.


SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (SINDIJORNALISTAS-ES)

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS (FENAJ)






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